Projeto Andadas Ecológicas Magé promove limpeza de manguezais, educação ambiental e geração de renda para comunidades tradicionais no Rio Suruí, na Baía de Guanabara.

ONG Guardiões do Mar lança projeto de combate ao lixo e fortalecimento de povos tradicionais em Magé

Andadas Ecológicas integra limpeza de manguezais, pagamento por serviços ambientais, educação ambiental crítica e moeda social inédita na Baía de Guanabara

Enfrentar o avanço dos resíduos sólidos na Baía de Guanabara, tendo os povos tradicionais como aliados e agentes fundamentais na busca por soluções, é a proposta do Andadas Ecológicas. Para atingir esse propósito, o projeto da ONG Guardiões do Mar, em parceria com a Petrobras, atuará em diversas frentes, tais como na limpeza de manguezais, formação de ecoclube, Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e utilização de uma tecnologia social inédita: a Moeda Azul – Mangal. Ao longo de 26 meses, a iniciativa envolverá escolas, espaços comunitários e moradores das margens do Rio Suruí, em Magé.

Projeto Andadas Ecológicas Magé promove limpeza de manguezais, educação ambiental e geração de renda para comunidades tradicionais no Rio Suruí, na Baía de Guanabara.

O projeto beneficiará diretamente pescadores artesanais, catadores de caranguejo, adolescentes e crianças da comunidade de Suruí e adjacências, no recôncavo da Baía de Guanabara.

“O Andadas Ecológicas nasce como um chamado à ação, construído a partir da escuta do território, realizada pela ONG Guardiões do Mar há quase 28 anos. Não se trata apenas de cumprir uma condicionante ambiental, mas de gerar transformação real, com protagonismo comunitário e legado duradouro”, afirma Pedro Belga, ambientalista e presidente da ONG Guardiões do Mar.

Atuação por eixos

Com atividades interligadas, o Andadas Ecológicas é composto por dois eixos principais: Conservação Ambiental e Educação Ambiental.

No primeiro eixo, serão realizadas campanhas de limpeza com foco na remoção de resíduos sólidos e na geração de renda alternativa para as comunidades tradicionais. Ao longo de dois períodos de defeso do caranguejo-uçá, 180 pescadores artesanais e catadores de caranguejo receberão bolsas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para atuarem na limpeza de manguezais, rios e praias. 

Essa será uma ampliação da histórica Operação LimpaOca, força-tarefa criada pela Guardiões do Mar em 2014 e que já coletou 120 toneladas de resíduos de ambientes costeiros e marinhos. A ação incluirá, pela primeira vez, a limpeza do Rio Suruí, em Magé, da foz à nascente.

Projeto Andadas Ecológicas Magé promove limpeza de manguezais, educação ambiental e geração de renda para comunidades tradicionais no Rio Suruí, na Baía de Guanabara.

A atuação ao longo de todo o curso do Rio Suruí contribuirá para a melhoria das condições ambientais, a redução de resíduos que afetam a pesca artesanal e o fortalecimento dos processos naturais de regeneração do manguezal. A iniciativa também trará implicações para o Turismo de Base Comunitária, outra atividade econômica praticada pela comunidade.

“Poderemos mostrar uma nova realidade do rio, que ele está sendo monitorado e limpo, atraindo mais turistas para a região. O projeto demonstra, na prática, como a união entre instituições, comunidade e pescadores pode resultar em ações que beneficiam diretamente a localidade e o meio ambiente”, define Rafael dos Santos, presidente da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM).

Durante a Operação, o material recolhido, com boas condições de aproveitamento, poderá ser encaminhado para cooperativas de reciclagem, de acordo com a avaliação dos coletores, e os demais resíduos serão acondicionados em caçambas e direcionados para aterros sanitários.

Haverá também o desenvolvimento de uma ação piloto para implantar o descarte adequado de resíduos sólidos na comunidade, com o objetivo de incentivar a redução do lixo e a reciclagem por meio da coleta domiciliar comunitária.

Projeto Andadas Ecológicas Magé promove limpeza de manguezais, educação ambiental e geração de renda para comunidades tradicionais no Rio Suruí, na Baía de Guanabara.

A iniciativa incluirá a formação continuada de 10 jovens, de 16 a 18 anos, por 18 meses, que também receberão bolsas auxílio. Essa capacitação seguirá o modelo de ecoclube, já utilizado com sucesso em outras iniciativas da ONG Guardiões do Mar.

Outro grupo, composto por três jovens (de 18 a 22 anos), também receberá formação, durante um período de tempo menor. Eles atuarão como Agentes Ambientais comunitários na coleta porta a porta e na gestão dos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) que serão instalados na localidade. Os resíduos adquiridos serão levados para um centro de triagem, onde a equipe de gestão de resíduos e o agente comunitário de reciclagem irão processar o material para venda ao mercado.

Já no segundo eixo, será desenvolvido um programa de educação ambiental para a comunidade de Suruí, com foco na sensibilização sobre a importância da conservação dos manguezais e na adoção de práticas sustentáveis, como o consumo consciente e o descarte correto de resíduos. O programa será pautado nas premissas da Cultura Oceânica, alinhado à Década da Ciência Oceânica (2021-2030).

Outra novidade trazida pelo Projeto será o lançamento da Moeda Azul – Mangal, uma tecnologia social que tem por objetivo incentivar o descarte correto de resíduos e o consumo consciente na comunidade. A moeda será implementada como um sistema de recompensa para aqueles que adotarem práticas sustentáveis. Para isso, serão realizados eventos em ambientes formais e não formais — os Bazares Azuis — nos quais a Mangal poderá ser trocada por produtos diversos, como brindes do projeto e outros itens obtidos por meio de doações. 

Experiência, transparência e legado 

Projeto Andadas Ecológicas Magé promove limpeza de manguezais, educação ambiental e geração de renda para comunidades tradicionais no Rio Suruí, na Baía de Guanabara.

Idealizado em atendimento à condicionante da Licença de Instalação do Complexo de Energias Boaventura, o Projeto Andadas Ecológicas foi construído a partir de uma escuta ativa das lideranças locais e se apoia nos 28 anos de atuação da ONG Guardiões do Mar na Baía de Guanabara.

A iniciativa contará com monitoramento contínuo e devolutivas públicas. A expectativa é fortalecer o debate sobre soluções comunitárias para a crise dos resíduos sólidos no Brasil.

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Feito com compromisso político afetivo pela Arte vetorial de uma espiral Kangen Comunidade Criativa